quinta-feira


Sonhou que estava dormindo e não conseguia acordar
A boca da noite a comeu com seus dentes brancos
Viu seus mortos andarem
Contando histórias
Como se não fossem morrer
No sonho, a casa em que se conhece
A casa onde era menina
Portas, azulejos, no bairro pobre sem calçamento
Nesta casa, neste tempo,
Só morriam os velhinhos, recorda
E amanhã era o mesmo dia
No ritmo ordenado das memórias douradas
Verdades que se cansaram de acontecer
Ainda por dentro, acorda.

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