sábado

a garganta estava seca da boca

as mãos vazias da pele

e os olhos vazios de possui-lo

ficamos dissolvidos pela noite

convertidos pela lua ausente

não sei onde começava a sua perna

e onde terminava a minha

multilivre

multifaces

ontem a escuridão nos corrompeu

talvez possamos nos guardar

até que o amor nos salve

ou mesmo, nos crie

Um comentário:

  1. a escuridão é passiva, seres rastejantes e vermes eretros (bípedes) habitualmente corrompem-na, aos poetas cabem apenas a vil tentativa de extrair-lhe a essência amorfa e turva.

    e o amor... bom este é o catalisador/propiciador da perdição.

    (advocatus diaboli mode off)

    Parabéns, poema aparentemente simples mas de complexidade que torna a descrição, por parte do leitor, algo inefável.

    E bastante interessante a (des)organização semanal desta série de poemas.

    Lerei mais poemas e caso não se incomode, tecerei mais comentários, posso?

    abraços

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