a garganta estava seca da boca
as mãos vazias da pele
e os olhos vazios de possui-lo
ficamos dissolvidos pela noite
convertidos pela lua ausente
não sei onde começava a sua perna
e onde terminava a minha
multilivre
multifaces
ontem a escuridão nos corrompeu
talvez possamos nos guardar
até que o amor nos salve
ou mesmo, nos crie
a escuridão é passiva, seres rastejantes e vermes eretros (bípedes) habitualmente corrompem-na, aos poetas cabem apenas a vil tentativa de extrair-lhe a essência amorfa e turva.
ResponderExcluire o amor... bom este é o catalisador/propiciador da perdição.
(advocatus diaboli mode off)
Parabéns, poema aparentemente simples mas de complexidade que torna a descrição, por parte do leitor, algo inefável.
E bastante interessante a (des)organização semanal desta série de poemas.
Lerei mais poemas e caso não se incomode, tecerei mais comentários, posso?
abraços