quinta-feira

vou te jogar na cara uma verdade
fria e sem açúcar
sem graça sem gosto e sem solução
mas você não acreditaria
você nem sentiria
seu coração figurante, não bate, simula

vou te jogar na cara uma mentira
doce e quente
desejando tantas noites quantas forem
e todos os beijos não dados
neste teu rosto que esculpi

vou te jogar na cara um certeza
do cego que na rua espera pelo sinal
que o meu coração de luto
sentimentos com hematomas
estão em caixinhas guardadas

vou te jogar na cara uma incerteza
e já não é a mesma hora, nem a mesma rua, nem o mesmo cego
pego a paixão maltrapilha, nascida do teu teatro experimental
agito antes de usar, ignoro a data de validade
bebo do amor indigesto
que faz mal, mas cura

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